Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - Espirometria 03/08/2012



Espirometria

O que é espirometria: principais indicações

Dra. Erika Cristine Treptow
Dr. José Alberto Neder


O seu médico pediu para que você fizesse um exame chamado “espirometria”. Antes de se assustar com este nome complicado, leia o texto abaixo e você vai entender para que serve este exame e como o médico vai usar os resultados para tratar ainda melhor de você !


BOA LEITURA!

Os pulmões tiram oxigênio do ar que é utilizado por nossas células. As células, por sua vez, produzem um outro gás, o dióxido de carbono, que é eliminado para o ambiente pelos pulmões. Logo, precisamos colocar ar para dentro e para fora dos pulmões por toda a nossa vida!

Você sabia?

Uma pessoa normal sedentária respira, numa vida de 80 anos, mais de 17 milhões de litros de ar – daria para encher quase 3 Estádios do Maracanã !!

A espirometria mede a velocidade e a quantidade de ar que colocamos para dentro e para fora dos pulmões. Pode também ser chamada de Prova de Função Pulmonar ou Prova Ventilatória.

Você sabia?

Espirometria provém do latim spirare = respirar + metrum = medida. O termo foi criado em 1789 quando estudiosos procuravam medir o consumo de oxigênio na respiração. 

Um exame peculiar....

A espirometria difere de diversos exames médicos, já que você terá que cooperar bastante! Assim, dizemos que uma espirometria bem feita depende:

1) De você compreender o teste e colaborar nas manobras;
2) Do técnico ter treinamento específico e capacidade para explicar o exame;
3) Do médico pneumologista responsável, que deve supervisionar os testes, manter os conhecimentos atualizados e fornecer os resultados de maneira clara e concisa.

Preparação para o exame

- Antes do exame, você deve repousar por pelo menos 5 minutos. Neste período você responderá a algumas poucas perguntas sobre seus sintomas respiratórios e seus antecedentes médicos.
- Não é necessário jejum, porém a ingestão de café, chá e bebida alcoólica deve ser evitada nas 6 horas que antecedem o teste, pois seu uso pode alterar o resultado.
- Em alguns casos é necessária a suspensão de medicamentos, principalmente os que são inalados. Os broncodilatadores de curta ação (tipo AerolinÒ, BerotecÒ, AtroventÒ) devem ser suspensos por 4 horas e os de ação prolongada por 12 horas antes dos testes (exemplos: medicamentos que contem “formoterol” ou “salmeterol”). Se você tiver utilizando um broncodilatador de ação ultra-longa (isto é, usado só uma vez por dia), a suspensão é por 24 hs (exemplo: SpirivaÒ);
- Não suspenda as medicações caso o seu pneumologista oriente dessa forma – isso pode acontencer caso o médico queira saber como está o seu pulmão durante o tratamento;
- Por favor, não fume pelo menos nas 2 horas que antecedem o exame. Na vigência de infecções respiratórias, como gripe e resfriados,  deve-se adiar o teste até você se sentir melhor.

Como vai ser o exame?

- Inicialmente você deverá ser medido e pesado, pois estes dados são essenciais para o cálculo dos valores “normais” para cada um.
- O exame é realizado respirando-se em um instrumento denominado espirômetro (FIGURA), que registra a quantidade e a velocidade do ar respirado.

 

Figura 1. Espirometria. Um profissional orienta sobre as manobras que devem ser feitas durante o teste.

 

- Estando sentado, você irá respirar através de um bucal, que é conectado ao aparelho.  Nós não podemos perder o ar que você está respirando; por isso, um clipe de borracha fechará o seu nariz enquanto você respira pela boca.
- O técnico vai pedir o seguinte para você:
A. Respire tranquilamente por algum tempo;
B. Encha o peito maximamente!
C. Assopre! - com o máximo de força e rapidez possível, até que o técnico peça para você encher o peito novamente. Lembre-se:
1.  Este será o maior assopro que você já deu na vida!
2. Só pare de assoprar quando o técnico pedir, mesmo que você ache que não está saindo mais ar!
D. Você deverá repetir o assopro pelo menos 3 vezes, para termos certeza de que o exame está bom;
E. Provavelmente, você também terá que assoprar lentamente algumas vezes;
F. Após a finalização desta primeira parte, o técnico vai pedir que você use um “spray” de um broncodilatador e o teste será repetido novamente após 15-20 minutos.
Veja abaixo um QUADRO com SIM(s) e NÃO(s) para que seu exame saia perfeito!

perfeito!

Tabela 1. Instruções para a realização da espirometria
 Faça

Não faça

Respirar normalmente antes do assopro
Encher bem o peito antes de assoprar Assoprar rápido e com força
Assoprar até o final
Encher bem o peito após assoprar
Deixar o ar sair pela garganta
Evitar tossir ou falar

Respirar rápido antes do assopro
Demorar pra começar assoprar
Morder o bocal
Parar de assoprar antes da hora
Deixar vazar o ar
Fechar a garganta
Interromper e voltar a assoprar

 

Indicações – Afinal, para que serve a espirometria?

- O seu médico pode ter pensado em várias possibilidades quando decidiu solicitar este exame. Tanto doenças do pulmão quanto doenças de outras partes do corpo podem afetar a sua capacidade em fazer entrar e sair o ar dos pulmões.

Vamos entender melhor algumas destas doenças e como a espirometria pode ser útil para seu caso...

ASMA – é uma doença que leva à inflamação crônica das vias aéreas (tubos que dão passagem ao ar). Ocorre um estreitamento destes tubos e há dificuldade na passagem de ar. É caracterizada por episódios que vão e voltam de falta de ar, chiado no peito e tosse. 
A espirometria é muito importante nesta doença, pois auxilia no diagnóstico, avalia a gravidade do problema e mostra a melhora na capacidade pulmonar após o início do tratamento.
Em algumas pessoas, os sintomas da asma se manifestam apenas em situações específicas, como durante o exercício ou no contato com algumas substâncias que causam os sintomas. No laboratório podemos simular estas situações e realizar a espirometria antes e após um teste de esteira, por exemplo.

DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC) – é uma doença comum que afeta os pulmões. Em indivíduos saudáveis, o ar entra pela boca e é carregado pelas vias aéreas até porções cada vez menores, como galhos de árvores. No final destes galhos há pequenos “saquinhos de ar” e a troca do oxigênio e gás carbônico é realizada sem dificuldades.
No paciente com bronquite e enfisema, doenças que caracterizam a DPOC, as vias aéreas estão espessadas, há uma maior produção de muco e esta troca de gases fica prejudicada.
A DPOC está associada principalmente ao uso de cigarros e a pessoa começa a  apresentar tosse com catarro, dificuldade para realizar suas atividades e falta de ar.
A espirometria pode descobrir a presença desta doença em pessoas que fumam antes mesmo de surgirem os sintomas. Além disso, é ela que faz o diagnóstico da DPOC, avalia a gravidade da obstrução e a evolução da mesma. Após o início do tratamento, realizamos o exame periodicamente para ver a melhora com os medicamentos e decidir quando é necessário adicionar outras medicações.

DOENÇAS INTERSTICIAIS PULMONARES – o interstício pulmonar é uma rede de fibras fininhas que ajudam a sustentar o pulmão. Pode-se dizer que o interstício é o “esqueleto” do pulmão. Há mais de 150 tipos de doenças que podem levar a inflamação e/ou endurecimento deste tecido, denominadas de “doenças intersticiais pulmonares”. São exemplos a sarcoidose, a pneumonia por hipersensibilidade e a fibrose pulmonar.
A pessoa que sofre destas doenças costuma ter falta de ar progressiva, às vezes acompanhada de tosse seca. Em fases mais avançadas a falta de ar é intensa, limitando até os pequenos esforços e, devido a falta de oxigênio no sangue, pode ser visto uma coloração azulada das extremidades que denominamos de “cianose”.
A espirometria auxilia no diagnóstico, na avaliação da perda de função pulmonar e na resposta do paciente após o início das medicações.

DOENÇAS RESPIRATÓRIAS OCUPACIONAIS - no Brasil, há milhares de trabalhadores expostos a diversos tipos de poeiras em seu ambiente de trabalho. Muitas destas poeiras podem se depositar nas vias aéreas e nos pulmões e causar doenças.
O risco das doenças respiratórias ocupacionais depende da concentração da substância inalada no ar ambiente, das dimensões, das características da poeira e do tempo de exposição.
Desde 1994, foi determinado pela legislação trabalhista brasileira (NR7 de 12/94) que os trabalhadores de qualquer empresa, com qualquer número de funcionários, que tenham exposição a poeiras, façam radiografia de tórax e espirometria na admissão, na mudança de função e em diversos intervalos determinados. Nestes casos, realizamos o exame durante a exposição (dias de trabalho) e nos momentos sem exposição (finais de semana, férias) visando relacionar os sintomas com a presença do produto. A descoberta precoce de alteração no exame pode levar à mudança de cargo ou até mesmo afastamento e previne uma maior exposição ao agente.

DOENÇAS NEUROMUSCULARES – são doenças que levam ao enfraquecimento e posterior atrofia dos músculos, entre eles o diafragma, principal músculo responsável pela respiração. Há falta de ar progressiva, muitas vezes levando a pessoa a necessitar de um aparelho para ajudar na respiração nas fases mais avançadas da doença.
A espirometria fornece parâmetros que avaliam a necessidade deste aparelho e mostram a evolução da doença.

PRÉ-OPERATÓRIO – a realização da espirometria antes de procedimentos cirúrgicos visa avaliar a presença e quantificar a gravidade dos distúrbios respiratórios. É essencial principalmente em grandes cirurgias de tórax, abdômen cabeça e pescoço. Quando há alguma alteração, o seu médico irá orientar a equipe cirúrgica e o anestesista a ter cuidados especiais, como o uso de medicações, o tipo de anestesia, a realização de fisioterapia, etc.

SINTOMAS RESPIRATÓRIOS - A espirometria está indicada nos casos de sintomas respiratórios sem uma razão conhecida como falta de ar, tosse e chiado no peito. É um exame complementar tão importante quanto um radiograma de tórax.

 

Contra-indicações

- A espirometria é um exame não invasivo e indolor, porém em raras situações de potencial risco para o paciente devido às manobras forçadas ou quando a situação do paciente afetar a validade do teste, este não deve ser realizado:

  • Hemoptise (sangramento pulmonar) – tossir sangue
  • Dor no peito recente (angina)
  • Infarto agudo do miocário recente
  • Descolamento de retina, cirurgia ocular recente
  • Crise hipertensiva
  • Aneurisma de aorta torácica
  • Edema pulmonar
  • Qualquer outra situação que limite a adequada técnica do exame (por exemplo, traqueostomia que não possa ser bem ocluída na hora do exame, confusão ou rebaixamento da consciência, incapacidade em permanecer sentado).

Lembre-se sempre de avisar sobre qualquer problema de saúde antes de realizar o exame para que o médico possa avaliar se há alguma contra indicação!

Como saber se estou fazendo um teste num laboratório de confiança?

- Como consumidor(a),  é seu direito saber se você está sendo examinado(a) num laboratório adequado e competente.
- Certifique-se de que o laboratório possui técnicos treinados, instrumentos que são calibrados e um médico pneumologista para laudar o seu exame.
-  Visando garantir estes requisitos, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) iniciou em 2010 a certificação de médicos pneumologistas para a realização e avaliação da espirometria.
-  A certificação poderá ser feita por todo médico pneumologista, por meio da realização de um curso de três módulos, que envolverá desde cuidados no manuseio, limpeza e riscos de infecção do aparelho, até a realização da manobra de espirometria e interpretação dos resultados.
- Todo médico aprovado receberá um certificado e selos da SBPT confirmando a certificação do profissional. Estes selos serão colados a cada laudo do exame realizado por estes profissionais.
- Para dúvidas, comentários ou sugestões, o telefone 0800 61 6218 está disponível a pacientes, médicos e profissionais de demais setores da saúde.

 

Referências Bibliográficas

  • Pereira CAC, Neder JA. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT): Diretrizes para Testes de Função Pulmonar. J Pneumol. 2002; 28(3):S1-S238
  • Miller MR, Brusasco V, Crapo R et al. ATS/ERS task force: Standardisation of lung function testing: General considerations for lung function testing. Eur Respir J. 2005;26:153-61
  • Pereira CAC, Sato T, Rodrigues SC. Novos valores de referência para espirometria forçada em brasileiros adultos de raça branca. J Bras Pneumol. 2007;33(4):397-406


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Consulte sempre o seu pneumologista.

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