Data da ultima atualizaçao
Pulmonar - Pela sua Saúde Respiratória - DPOC 03/08/2012



DPOC



DOENÇA PULMONAR OBSTRUTIVA CRÔNICA (DPOC)

 

O que é?

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é caracterizada por dificuldade crônica principalmente para eliminação do ar dos pulmões, observando-se uma inflamação anormal nas vias aéreas associada à destruição dos alvéolos (responsáveis pela troca de oxigênio e gás carbônico), secundários à exposição de partículas ou gases nocivos. Essa limitação não é totalmente reversível mesmo que o paciente não se exponha mais aos fatores desencadeantes e utilize o melhor tratamento disponível. Antigamente, a doença era conhecida como enfisema pulmonar ou bronquite crônica. Os pacientes com DPOC apresentam maior risco de infarto agudo do miocárdio, osteoporose, diabetes e câncer de pulmão.
A doença é atualmente a quarta maior causa de morte no mundo e a quinta no Brasil. 12 a 15% das pessoas com mais de 40 anos no Brasil apresentam DPOC, que também é a quinta maior causa de internamento no sistema público de saúde. Na grande área metropolitana de São Paulo, 15,8% da população acima de 40 anos é portadora de DPOC, sendo 18% dos homens e 14% das mulheres. A doença é mais frequente à medida que aumenta a idade e ocorre mais em homens que em mulheres (apesar de nas últimas décadas o número de mulheres portadoras de DPOC ter aumentado significativamente, em função do aumento do tabagismo entre elas). Tabagismo é o principal fator de risco para a ocorrência da doença, podendo ocorrer com qualquer tipo de fumo e o risco aumenta quanto maior o número de cigarros fumados ao dia e também em função do maior tempo de consumo. Causas mais raras são exposição prolongada à fogão a lenha e à poluição ambiental.

Quais são os sintomas principais?

Falta de ar para a realização de esforços é a principal queixa do paciente com DPOC. Inicialmente ocorre para grandes esforços, havendo progressão ao longo do tempo para pequenos esforços. Em fases mais avançadas, pode ocorrer mesmo ao repouso. Além disso, pode haver tosse diária com ou sem secreção e queixa de chiado. Em fases mais avançadas da doença, pode haver redução significativa do peso e perda de massa muscular, além de tonalidade arroxeada das pontas dos dedos, lábios e ponta do nariz.

Como é feito o diagnóstico?

A espirometria (prova de função pulmonar) alterada, associada aos sintomas respiratórios prolongados, principalmente em fumantes ou ex-fumantes, é o exame que confirma o diagnóstico, sendo identificada dificuldade para expiração do ar durante o exame.
A radiografia de tórax pode ajudar, mas não é fundamental para o diagnóstico, uma vez que as alterações secundárias ao DPOC só aparecem em fases mais avançadas da doença. Deve ser realizada principalmente para descartar a presença de câncer de pulmão.

Qual é o tratamento?

Os principais objetivos do tratamento são evitar a progressão da doença, determinar alívio dos sintomas, melhorar a capacidade de realização de exercícios, reduzir complicações e internações, e reduzir a mortalidade.
A principal medida para tratar a doença é parar de fumar. Existem várias alternativas para parar de fumar. Em alguns casos o tratamento medicamentoso está indicado.
Nenhum dos medicamentos disponíveis atualmente é capaz de reverter totalmente a doença. As principais medicações utilizadas são:

  1. Broncodilatadores preferencialmente por via inalatória (agonistas beta adrenérgicos e/ou anticolinérgicos, de curta ou longa duração): dilatam os brônquios, o que facilita a entrada e saída de ar.
  2. Corticosteróides por via inalatória: atuação na inflamação das vias aéreas e alvéolos.
  3. Xantinas de longa duração: dilatam os brônquios (ação discreta) e melhoram a capacidade da musculatura respiratória.
  4.  Antibióticos por via oral ou venosa: indicados quando houver pneumonia ou infecção nos brônquios.

Reabilitação pulmonar consiste principalmente na realização de técnicas respiratórias específicas associada ao fortalecimento e treinamento da musculatura dos braços e das pernas, além da utilização de medidas para conservação de energia, com o objetivo de aumentar a capacidade de realização de exercícios e melhorar a falta de ar.  
Todo paciente portador de DPOC deve ser vacinado anualmente contra a gripe e a cada cinco anos contra pneumonia. A dieta deve ser balanceada incluindo frutas, verduras, grãos e carne (preferencialmente peixe ou frango). Evitar alimentos que causam a formação excessiva de gases no abdome, o que pode atrapalhar a respiração. Além disso, procura-se realizar pequenas refeições ao longo do dia (5 a 6). A ingestão de líquidos facilita a eliminação das secreções.
Em fases mais avançadas da doença, pode haver dificuldade para oxigenação adequada do sangue, sendo necessária a utilização de oxigênio domiciliar por período prolongado. As fontes de oxigênio disponíveis são concentrador, cilindro e oxigênio líquido. A via utilizada geralmente é o cateter nasal.
O transplante pulmonar está indicado em fases avançadas da doença, em pacientes com menos de 65 anos, com alteração acentuada na espirometria, se houver redução da oxigenação e/ou aumento da pressão nos vasos pulmonares.

Autor: Bruno Baldi
Atualizado em 31/08/2010


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