A apnéia do sono é uma doença crônica, evolutiva e com alta taxa de mortalidade. Caracteriza-se principalmente por interrupções na respiração durante o sono, devido à obstrução das vias aéreas por alguns minutos.
Normalmente vem acompanhada por um conjunto de sintomas, como a sonolência excessiva diurna, problemas cardiovasculares, neurológicos e alterações comportamentais.
Comenta a pneumologista Sonia Maria Togeiro, presidente da Comissão de Distúrbios Respiratórios do Sono da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT):
“De 2 a 4% da população sofre de apnéia do sono. O portador possui ronco alto e constante, com alguns engasgos. É um sono de má qualidade, que ainda pode provocar sérios riscos à memória e à concentração”.
A apnéia é mais freqüente nos homens, a partir dos 30 anos, e em indivíduos com excesso de peso. Muito comum também em pessoas que possuem o hábito de beber frequentemente. A gravidade está relacionada à quantidade de interrupções ocorridas durante cada hora do sono.
Há pessoas que convivem anos com os sintomas, a ponto de se habituarem. Nem percebem que estão doentes, portanto não procuram um especialista. O problema é que o diagnóstico tardio pode trazer resquícios à saúde, como complicações cardíacas, acidentes durante o trânsito ou trabalho pela má qualidade do sono, ou até mesmo a morte enquanto se dorme.
Como a apnéia se manifesta enquanto durante o sono, muitas vezes é difícil perceber sua existência. Explica Sonia Maria:
“Em geral, o paciente não percebe que possui o distúrbio. A menos que tenha sintomas diurnos ou durma ao lado de alguém que o alerte”.
Trata-se de uma doença sem cura, é apenas controlada:
“Caso tenha como principal fator a obesidade, pode até desaparecer, se o paciente emagrecer e obter o diagnóstico correto. No entanto, não é uma regra”.
Nos casos moderados e graves de apnéia, o tratamento utilizado se baseia em um equipamento chamado CPAP (pressão positiva contínua na via aérea). Funciona como um inalador e depende que o portador use uma máscara noturna, acoplada a um aparelho de pressão positiva.
O CPAP gera e envia fluxo de ar, abrindo a faringe e normalizando a respiração. Porém, a perda de peso é essencial para os obesos”, adverte Sonia Maria.
Fatores de Risco
Sempre que o indivíduo apresentar um fator de risco para a apnéia, deve procurar um especialista. No caso, pneumologistas, neurologistas ou otorrinolaringologistas. De acordo com o pneumologista José Eduardo Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), os fatores considerados de risco são: hipertensão, obesidade, ronco muito alto e habitual, pescoço grosso, queixo pequeno e/ou posicionado para trás, amídalas e adenóides volumosas (em crianças), sonolência;, alteração de memória e sono de má qualidade.
February 12th, 2008
Artigo publicado no site WebMD fala da alta prevalência de apnéia do sono não-diagnosticada em pacientes cardíacos usuários de marca-passo, detectada por um estudo científico europeu.
A pesquisa avaliou 98 pacientes com marca-passo para a detecção de apnéia do sono e 59% deles apresentaram apnéia do sono não-diagnosticada. Estes resultados serão publicados na edição de abril da revista “Circulation”, da Associação Americana do Coração.
Embora não haja nenhum esclarecimento no estudo a respeito da contribuição da apnéia do sono para a necessidade de marca-passos, os resultados apresentados apontam para a necessidade de um maior aprofundamento na relação potencial entre essas duas condições, segundo Patrick Levy, o co-autor do estudo:
“Nós sabemos que há uma relação entre apnéia do sono e arritmias cardíacas. A questão, portanto, é: se tratarmos a apnéia do sono, iremos com isso reduzir a necessidade de marca-passo do paciente? Ainda não sabemos, mas iremos descobrir”.
Veja o artigo completo no site do WebMD (em inglês).
March 29th, 2007
Raramente as pessoas percebem que têm, mas a doença prejudica a qualidade de vida e pode ser responsável por acidentes no trânsito e no trabalho
De 2 a 4% da população têm apnéia do sono. Entre os hipertensos, o índice pode chegar a 30%, já que a apnéia é fator de risco. O mais comum distúrbio respiratório do sono é ocasionado pela obstrução da faringe, que possui causas diversas, entre as quais a obesidade.
Quando acometido pela doença, o paciente tem a entrada de ar no nível da garganta obstruída diversas vezes durante a noite, por períodos de pelo menos 10 segundos – mas que podem chegar a um minuto –, o que impede que o sono seja saudável e o corpo realmente descanse. Além disso, apresenta sintomas incômodos, tais como o ronco habitual e a sonolência diurna.
“Não é um ronco normal”, alerta dr. Geraldo Lorenzi Filho, da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), médico da disciplina de pneumologia do Hospital das Clínicas e diretor do Laboratório do Sono do InCor. “O ronco do paciente que tem apnéia é mais alto e mais irregular”, conta, referindo-se a um ronco que ocorre na maior parte dos dias da semana e durante quase toda a noite.
A sonolência provocada pela doença também é relevante. Deve-se à impossibilidade do sono aprofundar-se devido às apnéias e pode ser acompanhada de dificuldades relativas à memória e à concentração. “Este sintoma se revela claramente nas pessoas que sempre dormem e estão sempre querendo dormir ainda mais. Claro que a sonolência pode ter muitas outras causas, mas, se acompanhada de ronco intenso e habitual, são grandes as chances de ser resultado da apnéia”, esclarece a dra. Sônia Togeiro, pneumologista, pesquisadora do Instituto do Sono e professora responsável pelo curso de Especialização em Medicina do Sono da UNIFESP.
O exame que diagnostica a doença é a polissonografia – estudo do sono – em que o paciente é analisado pelos especialistas enquanto dorme. Segundo a dra. Sônia, há gravidades diferentes da doença, determinadas em função número de apnéias registradas no exame de polissonografia e da intensidade da sonolência. “Quanto maior o número de apnéias e quanto mais intensa a sonolência provocada, mais grave a apnéia”.
Dr. Geraldo explica que, em todas as pessoas, a musculatura relaxa durante o sono, mas apenas nos que possuem fatores específicos isto se traduz em obstrução da passagem de ar. “São várias possibilidades: obesidade, garganta estreita, queixo retraído e outras alterações da anatomia”.
A anormalidade do ronco e da sonolência e, em quadros mais adiantados, a perda de memória e dificuldades de concentração são motivos suficientes para a procura de um médico, especialmente em casos de obesidade ou hipertensão arterial (pressão alta).
Há pacientes que sofrem as conseqüências da apnéia durante décadas e não procuram o especialista. “A maior parte das pessoas não percebe que tem a doença, pois acaba habituando-se aos sintomas”, afirma dr. Geraldo. “Em geral, somos procurados pelas esposas, que não conseguem conviver com o ronco alto”, acrescenta dra. Sonia.
A apnéia pode ser mais grave a ponto de prejudicar seriamente a qualidade de vida do paciente, trazendo incômodos, como dificuldades de memória e concentração, problemas sexuais, tendência a engordar, e ocasionando acidentes de trânsito e trabalho.
Nas versões mais leves, atitudes simples – como perder peso e evitar bebidas alcoólicas e medicamentos para dormir (hipnóticos) – podem resolver o problema definitivamente.
Outra possibilidade, destacada pelo dr. Geraldo, é a utilização de uma prótese que avança a mandíbula do paciente, possibilitando a passagem do ar. Este é um aparelho ortodôntico que, ao avançar a mandíbula, reposiciona a língua, com função semelhante à da prótese. Existem, ainda, as cirurgias, mas costumam ser eficientes somente em crianças.
O tratamento nos casos moderados e graves se baseia em um equipamento chamado CPAP (pressão positiva contínua na via aérea). Trata-se de uma máscara de uso noturno, acoplada a um aparelho de pressão positiva, que gera e envia fluxo de ar, abrindo a faringe e possibilitando a normalização da respiração. A pressão positiva gerada pela CPAP impede que a faringe se feche durante o sono nos pacientes com apnéia, que, com o uso do aparelho, passam a ter um sono normal e reparador.
March 9th, 2007