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Transplante de pulmão em câncer: pioneirismo ou loucura?

A procura pela cura ou melhora da qualidade de vida através do transplante de órgãos é antiga. A cirurgia experimental em animais no transplante de pulmão apresentou um grande avanço entre 1940 e 1950, principalmente com Demikhov e Metras, que demonstraram que o procedimento cirúrgico era exeqüível.

transplantepulmonar.jpg
À esquerda, Prof. Dr. Vicente Forte e equipe no Primeiro Transplante de Pulmão do Estado de São Paulo. À direita, radiograma de tórax no 1º PO de transplante unilateral esquerdo (doença de base: esquistossomose)

Em 1963, na Universidade de Mississipi, Prof. Dr. James Hardy e sua equipe realizaram o primeiro transplante de pulmão em humano. O paciente era portador de enfisema e câncer de pulmão. A sobrevida foi de 18 dias. Inegavelmente curta, mas após um longo período, ao redor de nove anos, de aperfeiçoamento na cirurgia experimental, eles demonstraram que o procedimento era viável. Houve respiração.

A mesma equipe, em 1964, realizou o primeiro transplante de coração. O coração bateu 90 minutos e parou, mas durante este período manteve a circulação sistêmica. Este procedimento gerou grande polêmica, com questionamentos éticos e morais, pois o doador era um chimpanzé e o receptor um cadáver humano. Mas, além de mais uma vez, provar que o procedimento cirúrgico era possível, já vislumbrava o xenotransplante.
Controverso e polêmico, mas isso possibilitou que Christiaan Barnard e sua equipe, realizassem o primeiro transplante cardíaco com sucesso em 1967. A sobrevida também foi de 18 dias, mas hoje o transplante de coração é uma opção terapêutica para várias cardiopatias em fase avançada.

Na época, James Hardy e outros pioneiros dos transplantes de órgãos, como Thomaz Starzl e equipe, que realizaram o primeiro transplante de fígado, foram considerados a mais baixa casta da cirurgia americana.

Mas, o reconhecimento da sociedade civil e científica logo surgiu. Com o aperfeiçoamento da técnica cirúrgica, principalmente da anastomose brônquica e o desenvolvimento da ciclosporina, o Prof. Cooper e sua equipe, em 1983, em Toronto, realizaram o primeiro transplante de pulmão com sucesso. Desde então vários centros de transplante de pulmão surgiram pelo mundo, com número crescente de procedimentos realizados, inclusive no Brasil.

No Estado de São Paulo, o primeiro transplante de pulmão foi realizado no Hospital São Paulo, UNIFESP, pelo Prof. Dr. Vicente Forte e equipe em 20 de janeiro de 1990. O paciente era portador de doença pulmonar fibrosante por esquistossomose, foi desintubado em menos de 12 horas e viveu muito bem por 2 anos. O Prof. Dr. Vicente Forte também foi pioneiro na anastomose brônquica sem omentopexia e no transplante lobar de pulmão no Brasil. O grupo do Hospital São Paulo, UNIFESP, reativou seu programa em 2007.

Atualmente no Estado de São Paulo, segundo o Sistema Estadual de Transplantes da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, existem três grupos ativos: InCOR-HCFMUSP, Hospital São Paulo- UNIFESP e Hospital Israelita Albert Einstein. O grupo do InCOR- FMUSP, coordenado pelo Prof. Dr.Fábio Jatene, é responsável pela retomada do transplante pulmonar no Estado de São Paulo, já ultrapassando 50 transplantes nos últimos 4 anos, desde a reativação do programa.

Desde o primeiro transplante em 1963, foram várias as conquistas, mas os desafios ainda são grandes, não só técnico, mas principalmente humano. Precisamos de mais pioneiros, talvez um pouco “loucos”, com muito entusiasmo, que tenham ousadia, que façam a história.

2 comments March 27th, 2008

Tromboembolismo venoso: precauções nas viagens aéreas

O tromboembolismo venoso (TEV) é a uma doença causada pela coagulação do sangue no interior das veias levando à formação dos chamados trombos ou êmbolos.

Esta denominação (TEV) compreende três situações:

  1. Trombose venosa profunda (TVP): quando a formação dos trombos ocorre ao nível das veias, em geral, 90% dos casos acometendo as veias das pernas.
  2. Trombose associada a cateteres venosos centrais: quando a formação dos trombos está relacionada à presença de cateteres colocados dentro das veias com a finalidade de tratamento especializado.
  3. Tromboembolismo pulmonar (TEP): é a complicação mais temida. Ocorre quando acontece o desprendimento parcial ou total de trombos ou êmbolos formados na periferia do nosso corpo (membros) e os mesmos percorrem por toda árvore venosa até o coração e pulmões. Dependendo da quantidade de vasos pulmonares comprometidos, a situação pode ser muito grave, chegando a ser fatal.

O TEV ocorre com maior freqüência em pessoas portadoras ou submetidas a determinadas condições.

Os fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento do TEV são:

  • Idade avançada - acima de 55 anos.
  • Situações de mobilidade reduzida.
  • Obesidade.
  • Presença de varizes grossas em membros inferiores.
  • Período pós-operatório.
  • Fase final da gestação e pós-parto.
  • Uso de anticoncepcionais orais e terapia de reposição hormonal.
  • Presença de insuficiência cardíaca.
  • Presença de doença maligna (câncer) em atividade.
  • História anterior de outra trombose venosa.
  • Indivíduos com anormalidade genética do sistema de coagulação (trombofilias).
  • Tabagistas.

Profilaxia do TEV nas viagens aéreas

Fonte da imagem: Flickr - http://www.flickr.com/photos/joebrent/15699012/Também conhecida como a “síndrome da classe econômica” ou “síndrome do viajante”, é uma situação descrita para caracterizar pacientes acometidos de embolia pulmonar depois de uma viagem de avião.

Não está relacionada apenas à classe econômica, mas a todas as situações prolongadas de mobilidade reduzida (acima de seis horas). Acomete preferencialmente as classes turísticas por causa de seus assentos mais estreitos e um maior número de poltronas.

Em geral acontece devido à altitude e baixa umidade relativa do ar associadas a situações de mobilidade reduzida.

As seguintes recomendações são importantes em viagens prolongadas:

  • Realização de pequenas caminhadas rotineiramente a cada duas horas no avião.
  • Movimentação ativa dos pés e pernas durante o período em que estiver sentado.
  • Utilização de roupas confortáveis e mais largas durante a viagem.
  • Hidratação vigorosa.
  • Evitar o uso de bebidas alcoólicas durante as viagens, pois elas aumentam a diurese e favorecem a hemoconcentração.
  • Evitar o uso de comprimidos para dormir, para impedir períodos longos de imobilização.
  • Evitar o fumo.
  • Em algumas circunstâncias é necessária a utilização de profilaxia medicamentosa, por isso paciente com fatores de risco elevado para o desenvolvimento de TEV (história prévia de TEV, insuficiência venosa crônica, obesidade, trombofilias) devem procurar assistência médica antes da viagem para as devidas recomendações.

Comentar March 18th, 2008

Qualidade de vida relacionada à saúde em pacientes com doenças respiratórias

Fonte da imagem - Flickr: http://www.flickr.com/photos/16961193@N06/1846504959/Pacientes “pneumopatas” isto é, aqueles com doenças cardio-pulmonares apresentam como principal sintoma a dispnéia, limitando-os quanto à prática de atividades físicas. Estes indivíduos apresentam um estado de descondicionamento com perda de massa e força muscular. Esta condição de incapacidade pode gerar depressão, ansiedade, restrição no estilo de vida podendo reduzir ainda mais a mobilidade destas pessoas. Todos esses fatores podem tem impacto direto na qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS).

Para tanto, a avaliação da qualidade de vida tem sido incluída na abordagem do paciente como indicador da eficácia, eficiência e impacto de determinadas intervenções (ex: clínica, medicamentosa, cirúrgica, Reabilitação Pulmonar e Cardíaca, Fisioterapia Respiratória), bem como do impacto físico e psicossocial que as enfermidades, disfunções e incapacidades podem acarretar.

A interpretação dos sintomas e da condição do estado físico são situações complexas, que envolvem vários fatores e que dependem da percepção de cada indivíduo.

Uma forma prática de avaliar a QVRS consiste em converter a descrição de uma experiência, seja ela sensorial ou física, em dados quantitativos. Fato tal que, habitualmente, é realizado através da aplicação de escalas ou questionários.

Estes questionários podem ser:

  • Genéricos: aplicados para diversas doenças
  • Específicos: como o próprio nome diz, específico para uma determinada doença
  • Discriminativos: diferencia pessoas com melhor QVRS daquelas com pior
  • Evolutivos: quanto essa QVRS varia no tempo (por exemplo, após uma intervenção, dentro de uma graduação prévia).

Os questionários mais comumente aplicados são:

  • Genéricos: o SF-36 e o Sickness Impact Profile;
  • Específicos para determinadas doenças: o Saint George’s Respiratory Questionnaire (SGRQ), Chronic Respiratory Questionnaire (CRQ) e Airways Questionnaire 20 (AQ 20) para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, o Asthma Quality of Life Questionnaire e Questionário Qualidade de Vida - Asma Unifesp-EPM  para Asma e a Escala de Karnofsky para câncer, entre outros.

Cada um destes questionários possui formas particulares de análise e de interpretação. No geral, são de fácil aplicação (pouco tempo e perguntas simples) e auto-aplicáveis (o próprio paciente responde as perguntas). Entretanto, se deve levar em consideração o nível sócio-cultural do indivíduo para que as perguntas sejam entendidas.

A avaliação da QVRS é uma prática importante e fundamental, que vem ganhando adeptos por parte dos clínicos, enfermeiros, psicólogos e fisioterapeutas na avaliação de determinadas populações de pacientes para verificar o sucesso ou não de intervenções.

Lara Maris Nápolis
Especialista em Fisioterapia Respiratória  - UNIFESP/EPM
Mestre e Doutora em Ciências - UNIFESP/EPM
Presidente do Departamento de Fisioterapia Respiratória da SPPT

Comentar March 11th, 2008

Verão: como vencer as alterações climáticas e as doenças respiratórias?

verao.jpgAs férias, as viagens mais longas e conseqüentes alterações climáticas podem provocar no organismo mudanças bruscas de temperatura. Com isso, a imunidade do individuo é reduzida, provocando ou acentuando distúrbios no sistema respiratório.

Atravessamos um período de temperaturas bastante elevadas e umidade relativa do ar razoavelmente baixa. O pneumologista José Eduardo Delfini Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), esclarece que é importante se alimentar bem, com comidas leves como frutas e verduras, além de ingerir diariamente aproximadamente três litros de água.

Mas se planeja uma visita à Europa, Estados Unidos, ou outros países do Hemisfério Norte, onde é inverno e as temperaturas são baixíssimas? alerta Cançado:

“É importante se agasalhar bem e evitar aglomerações em lugares fechados, que facilitam a disseminação de vírus e bactérias, aumentando o risco de infecções”.

O organismo do ser humano mantém uma temperatura interna de cerca de 37°C, independentemente do meio externo. Segundo o presidente da SPPT, quando o indivíduo é exposto ao frio, o metabolismo aumenta com o intuito de produzir mais energia e manter a temperatura corporal:

“Esse gasto exagerado de energia e o próprio clima diminuem a imunidade da pessoa e aumentam o risco de infecções, como resfriado, gripe, faringite, sinusite e pneumonia. Já no calor extremo, o organismo perde muita água pela transpiração e o ressecamento das mucosas facilita o aparecimento de alergias respiratórias, como a rinite e a asma”.

Os problemas aumentam quando o indivíduo já é portador de rinite, asma ou qualquer outra doença causada pela respiração. Nesse caso, é indicado que procure um médico pneumologista para ser avaliado e orientado, para estar preparado e bem informado para uma eventual crise.

Não se esqueça!

José Eduardo Cançado aconselha alguns hábitos preventivos para a realização antes da viagem:

  • Lavar diariamente as narinas com soro fisiológico 0,9%, três vezes ao dia
  • Caso já seja portador de alguma doença respiratória, procure um pneumologista antes de sair de férias
  • Leve sempre a medicação de manutenção e aquela orientada para o uso em casos de crise
  • Para pessoas portadoras de doenças respiratórias crônicas, em casos de viagens aéreas, é fundamental a orientação de um pneumologista, pois, durante o vôo, pode piorar, devido à baixa temperatura, à umidade relativa do ar e à oxigenação na altitude.

1 comment January 28th, 2008

O que são doenças intersticiais pulmonares?

TC indicando Fibrose PulmonarAs doenças intersticiais pulmonares compreendem um grupo de doenças que acometem o pulmão de forma difusa, comprometendo a troca gasosa. Tosse e a falta de ar são os principais sintomas destes males.

As causas das doenças intersticiais são variadas: desde a inalação de determinadas poeiras em ambientes de trabalho ou de fungos e bactérias presentes em ambientes domésticos com muita umidade. O consumo de alguns medicamentos e doenças reumáticas também podem ser responsáveis pelo desenvolvimento de doenças intersticiais. Existem doenças sem causa conhecida, como a fibrose pulmonar idiopática e a sarcoidose.

O refluxo gastro-esofágico, que pode levar à aspiração de conteúdo gástrico ao pulmão, também é uma causa da fibrose pulmonar.

Várias doenças intersticiais tem caráter progressivo e se não forem diagnosticadas precocemente podem levar à limitação importante, inclusive com necessidade de uso de oxigenio contínuo ou até mesmo o transplante de pulmão.

Muitas destas doenças intersticiais são raras e sua identificação não é algo tão simples assim. Mas muitas vezes podem ser confundidas com situaçoes mais comuns, tais como infecções pulmonares ou mesmo determinados tipos de tumores. Assim, hoje em dia é importante sua divulgação perante a classe médica.

Comentar January 24th, 2008

O que é displasia broncopulmonar?

Imagem: Luiz Vicente Ferreira

Displasia broncopulmonar é uma doença resultante de agressões causadas pelo tratamento de recém-nascidos prematuros ou com doenças pulmonares, tais como infecções, acúmulo de líquidos, malformações pulmonares, etc.

Os pulmões não estão completamente formados ao nascimento, de tal modo que o número de alvéolos (figura) aumenta muito nos 2 anos de vida primeiros anos de vida. Quando o recém-nascido prematuro precisa de ventilação mecânica para sua sobrevivência, esta resulta numa inflamação pulmonar, que produz cicatrizes pulmonares e interfere com o desenvolvimento normal dos pulmões.

Alvéolos

Alvéolos Pulmonares
A respiração normal depende de estruturas chamadas ALVÉOLOS, que mantém íntima relação com os vasos denominados capilares pulmonares, que realizam a troca de gases (oxigênio e gás carbônico).

A lesão pulmonar que ocorre nas crianças com displasia deixa a criança com dificuldade para respirar, respiração acelerada e dependência de oxigênio, além de chiado no peito e tosse. Todos estes sintomas tendem a melhorar com o passar do tempo e com o crescimento pulmonar normal, desde que a criança receba tratamento adequado.

Como é o diagnóstico da displasia broncopulmonar?

O diagnóstico da displasia broncopulmonar é feito nas crianças que apresentam dependência de oxigênio com 28 dias de vida com alterações típicas na radiografia dos pulmões. Quando a criança é muito prematura utiliza-se um momento diferente (36 semanas de idade gestacional corrigida) para fazer este diagnóstico, pois a dependência de oxigênio mais prolongada nestes bebês pode refletir apenas uma incapacidade de respirar adequadamente por problemas de força muscular, e não de uma doença pulmonar propriamente dita.

Como é o tratamento da displasia broncopulmonar?

O tratamento da displasia envolve questões alimentares, uso de oxigênio, medicamentos e prevenção de infecções. Como o crescimento pulmonar é a chave para a melhora dos sintomas de cansaço e dependência de oxigênio, o ganho de peso e crescimento normal da criança têm grande impacto na melhora da displasia broncopulmonar.

Entretanto, as crianças com displasia broncopulmonar em geral são prematuras e apresentam outros problemas associados à nutrição, como dificuldades na alimentação, doença do refluxo gastroesofágico, aumento do gasto de energia (pelo cansaço, infecções, etc) e, portanto, é preciso uma abordagem individualizada para determinar o melhor meio de nutrir adequadamente a criança com displasia broncopulmonar.

Freqüentemente é necessário o uso de suplementos nutricionais para aumentar o valor calórico dos alimentos, como fortificantes do leite materno e preparados à base de gorduras, como o TCM (triglicérides de cadeia média).

O uso de oxigênio representa um dos aspectos mais importantes no tratamento da displasia broncopulmonar, pois a imaturidade pulmonar aliada às lesões cicatriciais dos pulmões resultam numa dificuldade em captar o oxigênio do ar ambiente, e como conseqüência as crianças não conseguem uma oxigenação adequada sem uma oferta adicional do oxigênio.

Quanto oxigênio é preciso para uma criança com displasia broncopulmonar?

Quando o bebê está na UTI, em ventilação mecânica (com o respirador artificial) habitualmente almeja-se uma saturação de oxigênio entre 90 e 95% (medida através do aparelho denominado oxímetro de pulso). Nesta situação, procura-se oferecer a menor quantidade possível de oxigênio para atingir estes valores.

O excesso de oxigênio suplementar nesta fase (1as semanas de vida) pode resultar em danos ao organismo, principalmente para a retina (olhos) e para os pulmões. Quando a criança supera este período e passa ficar dependente de oxigênio, com o diagnóstico estabelecido de displasia broncopulmonar, passa-se a oferecer o oxigênio para manter a saturação de oxigênio superior a 92% (93% ou mais), pois estes valores de oxigenação foram bem estudados e estão associados a um melhor crescimento e desenvolvimento das crianças.

A oxigenação inadequada nesta fase pode resultar em vários problemas, como desnutrição e problemas cardíacos secundários (hipertensão pulmonar).

Imagem: Luiz Vicente Ferreira

O oxigênio deve ser administrado preferencialmente sobre a forma de cânulas nasais (foto), pois desta forma continua sendo oferecido durante os períodos de sono, alimentação, etc.

Quais medicamentos são utilizados nas crianças com displasia broncopulmonar?

Habitualmente utiliza-se diuréticos, broncodilatadores e corticosteróides, e eventualmente também recebem medicamentos para tratar a doença do refluxo gastroesofágico, que está presente em boa parte destas crianças. Os diuréticos são substâncias que ajudam o organismo a expelir mais água, pois estas crianças costumam acumulá-la nos pulmões com mais facilidade. Entre eles utiliza-se mais freqüentemente a furosemida (Lasix®) e a “solução diurética”, formulada em farmácias de manipulação e contendo hidroclortiazida e espironolactona.

Os broncodilatadores ajudam a melhorar a passagem do ar para os pulmões, utilizados através de sprays (”bombinhas”) ou inalação, sendo mais utilizados o salbutamol (Aerolin®) e o fenoterol (Berotec®), entre outros. Os corticosteróides são medicamentos que agem para diminuir a inflamação presente nos pulmões destas crianças, e seu uso também deve ser feito preferencialmente através da via respiratória, isto é, com sprays (”bombinhas”) ou inalação. Os mais utilizados são a budesonida (Busonide® e Pulmicort®) e fluticasona (Flixotide®). Dentre os medicamentos, é o que costuma ser utilizado por períodos mais prolongados.

Quando as crianças têm a doença do refluxo gastroesofágico, utilizam ainda medicamentos para diminuir a acidez do estômago (ranitidina - Antak®/Label® ou omeprazol - Losec®) e medicamentos para ajudar o estômago a esvaziar mais rápido e reduzir as regurgitações e vômitos (domperidona - Motilium® ou bromoprida - Digesan®).

Como pode ser feita a prevenção de infecções nas crianças com displasia broncopulmonar?

Todas as crianças precisam receber vacinação, mas o momento em que as vacinas devem ser administradas nas crianças prematuras pode ser diferente, a depender do tempo de gestação e peso da criança.

Além das vacinas do calendário básico de saúde, as crianças com displasia broncopulmonar devem receber vacinação para o pneumococo (Prevenar®) e vírus da gripe, ou Influenza (esta também deve ser indicada para os familiares e cuidadores). Além das vacinas, recomenda-se a administração de um anticorpo especial, denominado gamaglobulina específica anti-vírus sincicial respiratório (Synagis®) nos meses de março a agosto para as crianças com displasia broncopulmonar até os dois anos de idade, que tenham necessitado oxigênio e/ou diuréticos nos últimos 6 meses.

Ainda com relação à prevenção de infecções, é preciso lembrar que pessoas com resfriados ou gripes e crianças abaixo dos 12 anos de idade devem ter acesso limitado à criança com displasia broncopulmonar nos primeiros meses após a alta, pois as infecções respiratórias representam o maior risco para elas.

Importante ainda lembrar que a lavagem de mãos é comprovadamente o método mais eficaz na prevenção da transmissão de doenças, e deve ser estimulado para todas as pessoas em contato com a criança com displasia broncopulmonar.

Qual é a perspectiva das crianças com displasia broncopulmonar?

A melhora dos sintomas da displasia broncopulmonar é lenta e gradual, e depende do tratamento adequado e da ausência de complicações graves, mais comuns no 1º ano de vida (principalmente as infecções respiratórias). A dependência de oxigênio desaparece lentamente e raramente ultrapassa o 1º ano de vida.

Não se recomenda “apressar a retirada” ou tentar forçar o desmame do oxigênio, já que a oxigenação adequada é fundamental para o crescimento e para evitar complicações cardíacas.

Luiz Vicente Ribeiro Ferreira da Silva Filho
Unidade de Pneumologia Pediátrica, Instituto da Criança HC-FMUSP
Clínica de Especialidades Pediátricas, Hospital Israelita Albert Einstein

1 comment January 22nd, 2008

Novos medicamentos para o tratamento da asma grave de dícil controle

Acompanhe a seguir o artigo de Douglas Alberto Ferraz de Campos Filho, médico pneumologista e intesivista, acerca de novos medicamentos para o tratamento da asma:

fonte da imagem: www.asthmainformationguide.comO novo medicamento que trata a asma representa uma diferente terapêutica no tratamento das doenças alérgicas mediadas pela Imunoglobulina E (IGE); o fármaco cujo nome científico é OMALIZUMABE é um anticorpo Anti-IGE monoclonal recombinante humanizado, resultado de vários anos de pesquisa científica da engenharia genética.

Nos Estados Unidos da América, os bloqueadores da IGE, vêm sendo utilizados há mais de 4anos em pacientes com ASMA moderada e grave cujas crises não são controladas com corticosteróides inalatórios e broncodilatadores de longa duração, sendo também utilizadas em alguns centros especializados dos EUA para o tratamento e controle da Rinite Alérgica e da Dermatite Atópica.

No Brasil a imunoterapia com Anti-IGE, iniciou-se em Outubro de 2005, após Simpósio Internacional Específico sobre a nova medicação, onde foram convidados os melhores especialistas do país e professores doutores dos grandes centros universitários de pesquisa médica.

É uma medicação de última geração dentro da engenharia genética, o Anti-IGE (OMALIZUMABE), bloqueia os efeitos da Imunoglobulina E, substância, ou seja, Anticorpo responsável por mais de 95% das alergias.

A asma brônquica implica em muito sofrimento e custo elevado para os pacientes e para o sistema de saúde. Existe uma proporção considerável de pacientes com Asma que não respondem bem ao tratamento com a associação de broncodilatadores e corticóides inalatórios, a maior parte destes pacientes são Atópicos e podem beneficiar-se do acréscimo do Anti-IGE para o tratamento da Asma.

Os pacientes com Asma persistente devem ser avaliados por médicos especialistas em doenças respiratórias, pneumologistas ou alergologistas; pois a medicação no Brasil do Anti-IGE está inicialmente direcionada para o tratamento da Asma moderada e grave de difícil controle; a avaliação clínica deve ser rigorosa os exames necessários são Provas de Função Pulmonar, Teste Alérgico Cutâneo e dosagem de IGE no sangue; os procedimentos e aplicações só devem ser realizados em clinicas especializadas ou hospital.

O credenciamento junto a indústria farmacêutica, que fornece a medicação Anti-IGE; baseia-se no padrão norte americano para execução deste procedimento , mantendo controle e rigor técnico na utilização.

Mais de 50 mil pacientes estão sendo tratados com OMALIZUMABE nos EUA e desde Outubro de 2005 o Anti-IGE foi oficialmente liberado no Brasil para o tratamento da asma de difícil controle

A importância da Imunoglobulina E na fisioterapia da Asma se torna mais nítida quando se observa que o Anticorpo monoclonal Anti-IGE determina melhora clínica e diminui o processo inflamatório Alérgico. A disponibilidade deste imunoterápico vai favorecer o tratamento e controle dos quadros de Asma intensa, não controladas pelas medicações disponíveis como broncodilatadores, antialérgicos, extratos alergenicos, antagonistas de leucotrienos e corticosteróides.

No último Congresso Paulista de Pneumologia (Novembro/2007), o tema mais debatido; foi sobre a utilização do OMALIZUMABE (Anti-IGE), cujos bons resultados terapêuticos vêm demonstrando-se específico arsenal medicamentoso para ASMA GRAVE DE DIFÍCIL CONTROLE.

Douglas Alberto Ferraz de Campos Filho
Médico Pneumologista e Intensivista

15 comments December 5th, 2007

Fuja da gripe no inverno

Nutrição adequada é forte aliada para a prevenção e reabilitação

fonta de imagem: Flickr - http://flickr.com/photos/periodismodepaz/799722837/Freqüentemente, o inverno de muita gente é acompanhado de uma velha conhecida: a gripe. Com as baixas temperaturas e a falta de umidade do ar, ficamos ainda mais propensos a adquirir o vírus, principalmente pela maior convivência em ambientes fechados.

Com intensidade variável, febre, dores no corpo, na garganta e de cabeça são alguns dos sintomas. Impedir que o mal-estar se prolongue e te derrube está significativamente associado à nutrição adequada. Adverte Patrícia Morais de Oliveira, nutricionista do GANEP Nutrição Humana:

“A alimentação saudável deve ser um hábito diário, pois fortalece o sistema imunológico, podendo, inclusive, auxiliar na recuperação do organismo acometido por viroses”.

Segundo ela, aproveitar as potencialidades dos alimentos é um benefício tanto à prevenção quanto à recuperação de gripes e resfriados.

Aproveite as dicas e fique longe do mal

Seja em função de crendices ou mesmo por indicações de amigos e farmacêuticos, diversos produtos são, costumeiramente, adicionados ao cardápio de uma pessoa gripada. Muitos deles realmente têm eficácia, outros não passam de mito. Orienta Patrícia:

“Além de saborosa e nutritiva, a canja de galinha pode beneficiar o acometido. Primeiramente, por causa de seu calor. Líquidos quentes ajudam na expectoração. Outro atributo do prato é um aminoácido presente no frango, a cisteína. Essa substância tem a capacidade de agir sobre o muco, tornando-o menos espesso”.

Aliás, é bom salientar que a ingestão de líquidos é muito importante para a recuperação, assim como as frutas, verduras, legumes, grãos, carnes magras, hidratos de carbono (pão integral, arroz, batata, mandioca), leite e derivados. Pondera a nutricionista:

“Em casos de gripe, deve-se dar preferência a alimentos com pouca gordura, uma vez que o organismo debilitado precisa de repouso e, desta forma, não pode gastar energia excessiva com a digestão. Sob esse aspecto, é prudente que alimentação seja fracionada, de 4 a 5 pequenas refeições ao dia. As bebidas alcoólicas também devem ser evitadas”.

A ingestão de fontes de vitamina C é essencial. “Apesar de não haver estudos científicos que comprovem que a ingestão diária, mesmo em quantidades adequadas, previna a infecção, é conhecido que uma pessoa que consome regularmente a substância tem gripes com duração menor e com sintomas mais amenos. Por isso tenha sempre o hábito de consumir laranja, acerola, goiaba e limão”.

A gripe, nos casos não complicados e em adultos saudáveis, evolui espontaneamente para a cura de cinco a sete dias. Com hábitos alimentares saudáveis e o repouso adequado, esse processo é agilizado e menos incômodo. No entanto, o acompanhamento médico é fundamental para que cada tipo de enfermidade receba a assistência apropriada.

1 comment August 2nd, 2007


12° Congresso Paulista de Pneumologia e Tisiologia

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