Posts publicados em 'Câncer Pulmonar'

Transplante de pulmão em câncer: pioneirismo ou loucura?

A procura pela cura ou melhora da qualidade de vida através do transplante de órgãos é antiga. A cirurgia experimental em animais no transplante de pulmão apresentou um grande avanço entre 1940 e 1950, principalmente com Demikhov e Metras, que demonstraram que o procedimento cirúrgico era exeqüível.

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À esquerda, Prof. Dr. Vicente Forte e equipe no Primeiro Transplante de Pulmão do Estado de São Paulo. À direita, radiograma de tórax no 1º PO de transplante unilateral esquerdo (doença de base: esquistossomose)

Em 1963, na Universidade de Mississipi, Prof. Dr. James Hardy e sua equipe realizaram o primeiro transplante de pulmão em humano. O paciente era portador de enfisema e câncer de pulmão. A sobrevida foi de 18 dias. Inegavelmente curta, mas após um longo período, ao redor de nove anos, de aperfeiçoamento na cirurgia experimental, eles demonstraram que o procedimento era viável. Houve respiração.

A mesma equipe, em 1964, realizou o primeiro transplante de coração. O coração bateu 90 minutos e parou, mas durante este período manteve a circulação sistêmica. Este procedimento gerou grande polêmica, com questionamentos éticos e morais, pois o doador era um chimpanzé e o receptor um cadáver humano. Mas, além de mais uma vez, provar que o procedimento cirúrgico era possível, já vislumbrava o xenotransplante.
Controverso e polêmico, mas isso possibilitou que Christiaan Barnard e sua equipe, realizassem o primeiro transplante cardíaco com sucesso em 1967. A sobrevida também foi de 18 dias, mas hoje o transplante de coração é uma opção terapêutica para várias cardiopatias em fase avançada.

Na época, James Hardy e outros pioneiros dos transplantes de órgãos, como Thomaz Starzl e equipe, que realizaram o primeiro transplante de fígado, foram considerados a mais baixa casta da cirurgia americana.

Mas, o reconhecimento da sociedade civil e científica logo surgiu. Com o aperfeiçoamento da técnica cirúrgica, principalmente da anastomose brônquica e o desenvolvimento da ciclosporina, o Prof. Cooper e sua equipe, em 1983, em Toronto, realizaram o primeiro transplante de pulmão com sucesso. Desde então vários centros de transplante de pulmão surgiram pelo mundo, com número crescente de procedimentos realizados, inclusive no Brasil.

No Estado de São Paulo, o primeiro transplante de pulmão foi realizado no Hospital São Paulo, UNIFESP, pelo Prof. Dr. Vicente Forte e equipe em 20 de janeiro de 1990. O paciente era portador de doença pulmonar fibrosante por esquistossomose, foi desintubado em menos de 12 horas e viveu muito bem por 2 anos. O Prof. Dr. Vicente Forte também foi pioneiro na anastomose brônquica sem omentopexia e no transplante lobar de pulmão no Brasil. O grupo do Hospital São Paulo, UNIFESP, reativou seu programa em 2007.

Atualmente no Estado de São Paulo, segundo o Sistema Estadual de Transplantes da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, existem três grupos ativos: InCOR-HCFMUSP, Hospital São Paulo- UNIFESP e Hospital Israelita Albert Einstein. O grupo do InCOR- FMUSP, coordenado pelo Prof. Dr.Fábio Jatene, é responsável pela retomada do transplante pulmonar no Estado de São Paulo, já ultrapassando 50 transplantes nos últimos 4 anos, desde a reativação do programa.

Desde o primeiro transplante em 1963, foram várias as conquistas, mas os desafios ainda são grandes, não só técnico, mas principalmente humano. Precisamos de mais pioneiros, talvez um pouco “loucos”, com muito entusiasmo, que tenham ousadia, que façam a história.

2 comments March 27th, 2008

Consumo excessivo de vitamina E e câncer pulmonar

Veja a notícia do site da BBC Brasil de 01/03/2008 sobre um estudo que relaciona o consumo de altas doses de suplementos de vitamina E e o aumento no risco de desenvolver câncer do pulmão:

O estudo, publicado na última edição da revista especializada American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, mostrou que pessoas tomando 400 miligramas de vitamina E por dia aumentavam seu risco de câncer do pulmão em 28%

A pesquisa, que avaliou a situação de saúde de 77 mil pessoas, indicou ainda que o risco para os fumantes era ainda maior.

Os resultados da pesquisa realizada na Universidade de Washington, em Seattle, se seguem a outros estudos semelhantes que alertam para o consumo excessivo de beta-carotenos.

Em um comentário que acompanha o artigo científico, o especialista Tim Byers, da Universidade do Colorado, diz que uma dieta saudável e balanceada permite às pessoas consumir todos os nutrientes e minerais necessários, sem a necessidade de suplementos, e assim reduzir suas chances de desenvolver câncer.

Leia a notícia completa no site da BBC Brasil.

Comentar March 4th, 2008

Câncer de pulmão: milhares de brasileiros vitimados todos os anos

A incidência de câncer de pulmão aumenta ano a ano no mundo. Grande parte dos casos está diretamente relacionado ao tabagismo. As primeiras manifestações do mal são a tosse e o sangramento da via respiratória. Algumas vezes, uma pneumonia de repetição também pode ser um sinal. Afirma a médica Tereza Yae Takagaki, doutora em pneumologia pela Universidade de São Paulo e especialista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP:

“Normalmente, quando o tumor apresenta sintomas, é por já estar em estágio avançado. A maior chance de cura é diagnóstico precoce, muitas vezes utilizando um simples raio-X do tórax”.

Na luta contra o câncer de pulmão são fundamentais pesquisas de novos medicamentos quimioterápicos, os fármacos via oral e outros ainda em fase de teste de eficácia e viabilidade.

Essas alternativas, aliás, estarão em debate durante palestra no 12º Congresso Paulista de Pneumologia e Tisiologia, organizado e promovido pela Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), de 15 a 18 de novembro de 2007.

Da prevenção ao tratamento

De um modo geral, a maneira mais eficaz de combater a alta prevalência é abandonando o fumo, visto que é o fator de risco responsável por 90% dos tumores malignos pulmonares. Seus sintomas são variados, vão desde tosse, dor torácica, dispnéia e pneumonia, sendo que em alguns são assintomáticos.

Além do raio-X, exames complementares como a tomografia computadorizada são essenciais para detecção. Segundo a dra. Tereza, após diagnóstico, a sobrevida em cinco anos do paciente com câncer de pulmão está em torno de 14%. Porém, a detecção em estágio precoce aumenta a chance de cura para 70%. Destaca Rafael Stelmach, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT):

“Suas apresentações variadas são complicadores, pois não raramente o câncer é diagnosticado tardiamente, quando o paciente já não tem boas possibilidades de tratamento. Nosso esforço é voltado justamente para a importância dos marcadores para sua melhor identificação, e dessa forma, para a melhor indicação terapêutica”.

No aspecto terapêutico, as alternativas são a cirurgia, a radioterapia e a quimioterapia, que associadas, em diversas oportunidades, implicam em resultados mais efetivos.

Ultimamente, a quimioterapia baseada em cisplatina está sendo utilizada em estágios cada vez mais precoces, em adjuvância após cirurgia, em concomitância com a radioterapia, com resposta satisfatória.

Os critérios para escolha são individuais, dependendo das condições clínicas do paciente e do custo dos fármacos já que nem todos estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre as novidades que merecerão atenção no 12º Congresso Paulista de Pneumologia e Tisiologia, estão os medicamentos orais e a quimioterapia com drogas-alvo baseada na biologia molecular. Teoricamente, têm o poder de atuar diretamente no tumor, sem causar danos importantes ao organismo. Alguns ainda passam pela fase de teste, e outra parte já pode ser encontrada no mercado brasileiro.

2 comments September 27th, 2007

Quimioterapia em doses menores pode ser mais adequada para alguns pacientes com câncer pulmonar

Artigo científico publicado na revista Nature em abril de 2007 sugere que a quimioterapia em dosagens menores pode ser benéfica para pacientes com câncer pulmonar com maior sensibilidade de origem genética às drogas utilizadas no tratamento quimioterápico.

Células não pequenas de câncer pulmonar - fonte: cancerworld.orgCaso isso seja cientificamente confirmado, esses pacientes poderão tomar dosagens menores, observam os pesquisadores da University of Texas Southwestern Medical Center. Depois de mapearem mais de 21 mil genes nas celulas de câncer pulmonar, o resultado foi que todas essas células eram células não-pequenas de câncer pulmonar, a forma mais comum desse tipo de câncer.

Dos genes analisados em diversos testes laboratoriais, 87 era particularmente sensíveis ao Taxol, droga usada na quimioterapia. Alguns desses genes eram pelo menos mil vezes mais sensíveis ao Taxol quando expostos à droga por 48 horas quando comparados àqueles que não eram sensíveis.

A quimioterapia é um procedimento utilizado para matar as células cancerígenas e prevenir o retorno do câncer.

Veja a notícia completa no site WebMD (em inglês).

Comentar May 8th, 2007

Câncer de pulmão é o tipo de câncer que mais faz vítimas

Carcinoma (corte histológico) - fonte: WikipediaEstimativas de do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o câncer de pulmão deverá atingir 27.170 brasileiros (17.850 homens e 9.320 mulheres) em 2006. No País, foi responsável por 14.715 mortes no ano 2000.

Entre os vários sintomas estão a tosse persistente, respiração curta, dor torácica e pneumonias de repetição. O câncer de pulmão possui três tipos de tratamento: cirurgia, radioterapia e quimioterapia, podendo ser enfrentado ainda pela combinação dessas modalidades. A aplicação é definida pelo médico responsável seguindo o tipo celular do tumor, seu estágio e as condições do paciente.

O cigarro e o câncer de pulmão

De acordo com o INCA, o fumo causa 50 doenças diferentes, principalmente as cardiovasculares, o câncer e doenças respiratórias obstrutivas crônicas. Pesquisas apontam que 45% das mortes por infarto do miocárdio, 85% das mortes por doença pulmonar obstrutiva crônica, 25% das mortes por doença cérebro-vascular e 30% das mortes por câncer podem ser atribuídas ao cigarro.

Em sua composição, existem mais de 4.700 substâncias sendo a única responsável pela dependência química a nicotina. Dessa forma, abandonar o vício torna se mais difícil à medida do grau e intensidade do fumo.

“Se depender única e exclusivamente da força de vontade, o fumante estará frente à estatística que aponta que apenas 5% das tentativas de abandono do tabagismo têm êxito”, pondera o presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) Rafael Stelmach. Vale ressaltar a importância do acompanhamento médico e acesso a medicação e reposição de nicotina. Dessa forma, as chances de parar o fumo aumentam em até 40%.

Onde encontrar ajuda

Os centros públicos de tratamento do tabagismo no município de São Paulo são em sua grande maioria vinculados a universidades ou hospitais públicos. Um deles é o PrevFumo (Núcleo de Apoio à Prevenção e Cessação do Tabagismo), da disciplina de Pneumologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Os interessados devem entrar em contato pelo telefone 5579-3412 ou pelo site www.prevfumo.med.br. Já no Complexo do Hospital das Clínicas existe atendimento especializado antitabagismo para pacientes que se tratam no HC.

8 comments March 14th, 2007

Cientistas criam bafômetro que detecta câncer de pulmão

Cientistas americanos criaram um teste de bafômetro para detectar se uma pessoa tem câncer de pulmão. Deu no site da BBC Brasil em 26/02/2007:

Bafômetro desenvolvido para o exame - imagem: revista ThoraxO kit criado pelos médicos da clínica Cleveland, nos Estados Unidos, é pouco maior do que uma moeda, barato e fácil de usar. Os cientistas já usam testes de hálito para detectar a doença, mas as máquinas são caras e só podem ser manuseadas por especialistas.

O novo teste usa 36 sensores que mudam de cor ao entrar em contato com determinadas substâncias químicas. As células de câncer de pulmão liberam substâncias chamadas de compostos orgânicos voláteis, que são exaladas.

Os cachorros, por exemplo, animais com o olfato extremamente apurado, conseguem distinguir entre o hálito de pessoas saudáveis e com câncer de pulmão.

O kit foi testado em 122 pessoas com tipos diferentes de doenças de pulmão, incluindo 49 com câncer e 21 saudáveis. O sensor reconheceu mudanças no hálito de três em cada quatro pacientes com câncer, inclusive aqueles que têm tumores em estágio inicial.

Os resultados são considerados cruciais porque geralmente é difícil detectar a doença no início, quando há mais chances de cura. O kit ainda precisa passar por novos testes antes de ser comercializado.

A pesquisa foi publicada na revista especializada Thorax.

1 comment March 6th, 2007


12° Congresso Paulista de Pneumologia e Tisiologia

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