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Diagnóstico errado continua matando vítimas da pneumonia

Fonte da imagem: Flickr - http://www.flickr.com/photos/heitkamp/408443626/A pneumonia é uma doença infecciosa que agride o pulmão, mais especificamente, os alvéolos, local onde ocorrem as trocas gasosas. É causada por uma grande variedade de bactérias que penetram no pulmão, enchendo os alvéolos de pus e muco. Impede que o oxigênio alcance o sangue, fazendo com que as células do corpo não funcionem adequadamente.

Por esse motivo, a pneumonia é muitas vezes fatal. Em todo o planeta, é uma das principais causas de morte de idosos e também de crianças – dois milhões a cada ano. No Brasil, atualmente está entre as cinco maiores causas de internação, são quase um milhão ao ano, e óbito.

Suas vítimas preferenciais, vale frisar outra vez, são crianças de até cinco anos e idosos acima de 60 anos. Além disso, pessoas com doenças que levam ao comprometimento do sistema imunológico, como o câncer, a AIDS e o diabetes, também estão mais expostas ao risco, assim como os fumantes.

Segundo o pneumologista Mauro Gomes, diretor da comissão de infecções respiratórias da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, muitas mortes seriam evitadas, se os casos fossem diagnosticados precocemente para que os pacientes recebessem o tratamento adequado:

“As pneumonias são tratadas com o uso de antibióticos e, quanto mais rápido este for iniciado, menor o risco de complicações”.

Tratamento

Dependendo da gravidade, a pneumonia pode ser tratada em casa. O paciente deve permanecer em repouso, ingerir bastante líquido, além de tomar rigorosamente a medicação prescrita por um especialista. No entanto, as de maior risco devem ser tratadas em regime de internação hospitalar, e em casos extremos em UTI.

A vacinação contra a gripe deveria ser adotada por todos, especialmente crianças e idosos, salvo quando contra-indicada pelo médico. Além de reduzir a incidência da própria gripe, também diminui os índices de pneumonias:

“Existe ainda a vacina contra o pneumococo, a principal bactéria causadora de pneumonia. Também deve ser indicada para os pacientes de risco. Convém lembrar que a proteção oferecida por estas vacinas não é de 100% pois elas não envolvem nas suas composições todos os vírus e bactérias que potencialmente tendem a levar a uma infecção respiratória. Por isso, determinadas pessoas, mesmo vacinadas, eventualmente são vítimas de infecção”.

De acordo com o pneumologista José Eduardo Cançado, presidente da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), há um grande problema no sistema público de saúde:

“O Brasil dispõe e oferece, gratuitamente, os recursos necessários para o diagnóstico e tratamento da pneumonia. No entanto, por muitas vezes, o diagnóstico não é feito de maneira certa, o antibiótico prescrito não é o correto. E isso faz com que a criança, ou o infectado piore. Em situações de tratamento não efetivo, a pneumonia pode ser fatal”.

Cançado argumenta que o grande problema da rede pública é que as pessoas não são medicadas por um especialista em doenças respiratórias, o que seria ideal. Além do mais, é sabido que a abertura indiscriminada de faculdades médicas tem colocado no atendimento profissionais com formação insuficiente.

Outra questão que deve ser considerada é a necessidade de atualização constante, que ainda não é uma prática generalizada:

“Por falta de atualização, às vezes, receita-se uma medicação antiga e que não possui tanta efetividade como outras já disponíveis. Por isso é essencial que sociedades médicas, como a nossa, façam campanhas, palestras para reciclar o médico. Porém, o governo deve ter comprometimento com a educação continuada, inclusive ajudando no financiamento, pois isso é um problema de saúde pública.”

Principais sintomas

  • Febre e suor intenso
  • Calafrios e tremores
  • Falta de apetite
  • Dor no peito que piora com a respiração, em crianças maiores
  • Tosse com catarro esverdeado, marrom, ou com raias de sangue
  • Respiração ofegante, gemência e prostração
  • Aceleração do pulso

Em casos graves, os lábios e unhas podem ficar roxos por falta de oxigênio no sangue e pode haver confusão mental. Em crianças muito pequenas ou já com outras doenças de base, a pneumonia pode ocorrer sem a presença dos sinais clássicos, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico.

9 comments January 30th, 2008

Pneumonia: riscos e mitos

Excluídas questões relacionadas à gestação, a pneumonia é a principal causa de internação hospitalar no SUS, totalizando 900 mil casos por ano

Imagem: site medkast.libsyn.comAs pneumonias são infecções que acometem os pulmões. Causadas especialmente por bactérias que conseguem penetrar no interior dos pulmões, são raros os casos em que a transmissão acontece de uma pessoa para outra, diferentemente da gripe. O mais comum é que bactérias que habitam naturalmente a boca ou os seios da face consigam atingir os pulmões por uma falha no sistema respiratório.

Segundo Mauro Gomes, diretor científico da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT) e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o organismo com baixa resistência é o que mais favorece à infecção:

“O maior número de internações e óbitos ocorre nos extremos de idade, isto é, nas crianças e nos idosos acima de 60 anos. São esses os grupos de maior risco de mortalidade provocada por pneumonias. Portadores de doenças que levam ao comprometimento do sistema imunológico, como câncer, AIDS, lúpus ou diabetes, além dos fumantes, também estão mais expostos a risco”.

O especialista adverte que há tipos menos freqüentes de bactérias causadoras de pneumonia, como germes, que sobrevivem e se multiplicam em sistemas de ar condicionado central. “Manter estes equipamentos devidamente higienizados e realizar a manutenção adequadamente são importantes medidas na prevenção”.

Os números da Pneumonia

No Brasil existem poucos estudos sobre incidência e mortalidade da pneumonia. Segundo Rosali Teixeira Rocha, médica assistente do pronto-atendimento de Pneumologia da UNIFESP-EPM, 24.756 óbitos por pneumonia foram relatados em 2005, com 70% dos casos em pacientes maiores de 65 anos e 7% menores de 4 anos (fonte: DATASUS):

“A taxa de mortalidade nos pacientes que fazem o tratamento ambulatorial é menor que 1%, mas entre aqueles que necessitam de hospitalização, varia de 6 a 16%”.

Os números são mais alarmantes em populações específicas como pacientes com outras infecções ou idosos residentes em asilos. “Pode chegar a 50% nos pacientes tratados em unidade de terapia intensiva”, alerta a médica.

Importância da prevenção

As gripes, tão comuns nesta época do ano, quando os ambientes estão sempre fechados, com a circulação de ar prejudicada, favorecem a penetração de bactérias no interior dos pulmões. O vírus Influenza é o responsável pelos quadros mais graves e, portanto, está bem relacionado à pneumonia. Esses casos de gripe, em particular, aumentam a suscetibilidade à infecção pulmonar. Pondera Mauro:

“A vacinação contra a gripe é uma medida que deveria ser adotada por todos, especialmente crianças e idosos. Além de reduzir a incidência da própria gripe, também diminui os índices de pneumonias”.

Rosali completa que a vacina também é recomendada a todos os residentes em centros geriátricos ou instalações para cuidados crônicos, adultos e crianças com doenças crônicas e grupos capazes de transmitir o vírus influenza a pacientes de alto risco, que são profissionais da saúde e pessoas em contato ocupacional com doentes crônicos.

Mesmo vacinado, o indivíduo não está 100% protegido. Pessoas com maior predisposição à pneumonia, orientadas pelo médico, podem procurar a vacina contra o pneumococo, que é a principal bactéria causadora de pneumonias. Esclarece Mauro:

Mauro Gomes, pneumologista da Santa Casa“A proteção proporcionada por estas vacinas não envolve nas suas composições todos os vírus e bactérias que potencialmente podem levar à infecção respiratória. Por isso, mesmo pessoas que foram vacinadas podem, eventualmente, ser vítimas de infecção. Isso não é motivo para deixar de se vacinar, pois o risco de adoecer fica bem reduzido”.

Diagnóstico e tratamento

Segundo Rosali, o País deve se conscientizar da importância da pneumonia. É preciso diagnosticar e avaliar a gravidade para tratar o mais rápido e adequadamente possível essa doença. Os testes atuais são mais rápidos e possibilitam diagnóstico específico de dois dos principais agentes causadores de pneumonia (S. pneumoniae e Legionella pneumophila) bem como a identificação de pacientes com casos graves para pronto estabelecimento de estratégias terapêuticas. Com relação à medicação, os antibióticos de última geração oferecem cobertura ampla para os agentes causadores.

Ou seja, o Brasil dispõe de todos os recursos necessários para o diagnóstico e tratamento da pneumonia. Nem assim a incidência da doença ou mortalidade vêm diminuindo. Portanto, para mudar este panorama, quanto mais rápido for o diagnóstico e o início do tratamento, menores os riscos de morte por pneumonia. Em grande parte das situações, o tratamento com antibióticos é feito em casa, com o paciente em repouso e ingerindo bastante líquido. Somente quando a gravidade for maior devem ser tratados em regime de internação hospitalar e, se necessário, em UTI.

2 comments March 11th, 2007


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