A tuberculose é atualmente um grande problema de saúde pública em todo o mundo com cerca de 9 milhões de casos novos e mais de 1,5 milhão de mortes todos os anos. Em 2004, o Brasil notificou 78.122 casos novos e 4.594 óbitos e ocupa atualmente o 16º lugar entre os 22 países que representam 80% da tuberculose em todo o mundo. No ano de 2004 foram notificados 17.216 casos no Estado de São Paulo, além de 928 mortes com coeficientes de incidência e de mortalidade de 43,9 e 2,8 por 100.000 habitantes, respectivamente.
A tuberculose está incluída entre as prioridades da Organização Mundial da Saúde e a aliança mundial STOP TB lançou um Plano Mundial para Deter a Tuberculose 2006-2015, onde são detalhadas as atividades necessárias para reduzir a carga mundial da tuberculose. As metas desse plano incluem o diagnóstico de pelo menos 70% dos casos
novos e a cura de, no mínimo, 85% desses casos, além de diminuir em 50% a mortalidade até o ano de 2015 e eliminar a tuberculose como problema de saúde pública até o ano 2050. Para conseguir esse impacto é preciso construir as parcerias entre os governos, as organizações da sociedade civil e toda a população. Deve-se assegurar, portanto, que todos os pacientes com tuberculose tenham pleno acesso ao diagnóstico e ao tratamento de qualidade para reduzir a carga socioeconômica imposta pela doença.
O Dia Mundial da Tuberculose, 24 de março, foi lançado em 1982 pela OMS em comemoração aos 100 anos da identificação do Mycobacterium tuberculosis por Robert Koch e é uma ocasião de mobilização mundial, nacional, estadual e local que envolve todas as esferas de governo e setores da sociedade na luta contra a doença. O objetivo é ampliar esforços para conseguir sustentação da luta contra a tuberculose, mobilizando comunidades, aumentando a consciência sobre o problema, incentivando governos e
voluntários para investir no controle da doença. Nesse ano, a SPPT estará participando dessa mobilização, em parceria com órgãos estaduais, municipais e não governamentais.
No endereço www.stoptb.org é possível o acesso ao material de divulgação que pode ser utilizado nas atividades regionais e locais.
Sydney Bombarda
Comissão : Assuntos da Grande São Paulo
Assistente – Doutor da Disciplina de Pneumologia do HCFMUSP
Veja a seguir notícia publicada a seguir do site Yahoo! Notícias em 27/02/2008 sobre o aumento de casos no mundo de tuberculose multiresistente:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) denunciou em informe publicado nesta terça-feira números alarmantes da tuberculose multiresistente aos tratamentos e lamenta a falta de recursos financeiros para lutar contra a calamidade.
A análise das variáveis da pesquisa indica que surgem anualmente no mundo cerca de meio milhão de casos de tuberculose multiresistente (MR). Contudo, a dimensão deste problema é desconhecida, já que nem todos os países estão em condições de repassar as informações necessárias para o estudo, afirmam os autores do informe.
Apenas seis países da África, região com maior número de casos de tuberculose no mundo, puderam recolher dados completos.
No Brasil, o tratamento padrão para a tuberculose é gratuito. Seu índice de cura é superior a 95%, quando realizado adequadamente. Entretanto, a doença representa a 9ª causa de hospitalização, ocupando o 7° lugar em gastos com internações. É anda a 4ª causa de mortalidade por males infecciosos. Afirma o presidente da Comissão de Tuberculose da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, a SPPT, Luiz Francisco Ribeiro Medici:
“Geralmente, as pessoas não estão atentas aos sintomas e não procuram um médico. Se houver tosse persistente, febre, emagrecimento, suores noturnos, é necessário atendimento. Tosse prolongada, por exemplo, é vista como normal. Mas não é normal ter tosse por 30 dias”.
Quando sem tratamento adequado, cada vítima de tuberculose pode contaminar cerca de dez pessoas ao ano. Logo o diagnóstico precoce é de extrema importância, tanto para a saúde do paciente, quanto para a interrupção da cadeia de transmissão.
A doença do peito
A tuberculose, também conhecida como doença do peito, é uma infecção grave transmitida através do ar. Ela pode atingir todos os órgãos do corpo, especialmente os pulmões. Um microorganismo, o bacilo de Koch (Micobacterium tuberculosis), é o causador da doença. Explica Medici:
“A pessoa infectada, quando tosse, espirra ou fala, elimina bacilos que permanecem no ar. Quem respira esse ar contaminado pode se infectar”.
Os pulmões são os órgãos mais atingidos, mas a tuberculose também chega aos ossos, intestinos, olhos, entre outros.
O tratamento e a prevenção
A combinação de três medicamentos, que devem ser tomados por seis meses ou mais, dependendo da orientação do médico pneumologista, é o tratamento padrão. A interrupção desse processo acarreta prejuízos à saúde piores que os do início da tuberculose. Segundo Medici, muitos pacientes abandonam o tratamento assim que os sintomas param de se manifestar, o está errado:
“A melhora do paciente não quer dizer que a doença foi eliminada. Se a orientação do especialista não for seguida, os sintomas voltam rapidamente e o bacilo estará mais resistente”.
A prevenção usual à tuberculose é a vacina BCG, que necessita ser aplicada nos 30 primeiros dias de vida. Ela é capaz de proteger contra as formas mais graves da doença.
24 de Março - Dia Mundial da Tuberculose
Em 24 de março de 1882 o bacilo de Koch foi descoberto. Em homenagem aos 100 anos desse anúncio, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a União Contra Tuberculose e Doenças Pulmonares (International Union Agaist TB and Lung Disease – IUATLD) resolveram, em 1992, nomear a data de Dia Mundial da Tuberculose.
É uma data de mobilização. É a ocasião onde o mundo tem a oportunidade de expandir a conscientização, alertar e mostrar à população uma realidade que tantas vezes passa despercebida. Todo ano a SPPT está presente no desenvolvimento de atividades que visam a ampliar ações no controle da tuberculose.
Nos dias 26 e 27 de setembro de 2007, o Instituto Clemente Ferreira celebrará o sesquicentenário de Clemente da Cunha Ferreira, seu fundador.
Médico sanitarista, ainda hoje é reconhecido internacionalmente por ser um pioneiro no combate à tuberculose no Brasil.
Durante o primeiro dia, está previsto um coffee break para os convidados a partir das 9h, e na seqüência, haverá uma palestra no auditório, ministrada por Ana Margarida Rosemberg, pneumologista convidada. Ela contará fatos marcantes da vida e da obra do dr. Clemente. À tarde, as comemorações serão direcionadas aos funcionários e pacientes do Instituto, com direito a música, distribuição de folderes e algumas prendas, apresentação de cartazes ilustrativos, entre outras ações.
O evento acontecerá na sede do ICF, com música, lanches e atividades diversas. Analisa Maria Teresa Ortega, médica sanitarista do ICF e uma das organizadoras do evento:
“Por ser uma data única, o aniversário de 150 anos da existência de um personagem impar no contexto político e da saúde nacional, trata-se de uma oportunidade para refrescar a história de Clemente Ferreira em nossa sociedade”.
Durante o primeiro dia, a partir das 9h, haverá uma palestra no auditório, ministrada pela Ana Margarida Rosemberg, pneumologista convidada. Ela contará fatos marcantes da vida e da obra do dr. Clemente. Na seqüência, está previsto um coffee break para os convidados(ver comentários) . À tarde, as comemorações serão direcionadas aos funcionários e pacientes do Instituto, com direito a música, distribuição de folderes e algumas prendas, apresentação de cartazes ilustrativos, entre outras ações.Já para o segundo dia, foi reservada uma solenidade oficial, com início às 19h, e logo após, um coquetel. Estarão presentes figuras importantes no cenário médico e político de São Paulo, representantes e autoridades das Secretárias Municipal e Estadual de Saúde, bem como das entidades relacionadas, a exemplo da Sociedade Beneficente Clemente Ferreira e da Sociedade Paulista de Pneumologia (SPPT), além de familiares do dr. Clemente. Completa dr. Fernando Fiuza, diretor do Instituto Clemente Ferreira:
“Além de destacar sua luta contra a tuberculose e o direito dos pacientes de receber o tratamento aqui na capital em uma época que a doença era repugnada nas grandes cidades, nosso intuito é dar visibilidade ao ICF, que é um de seus triunfos. Hoje, nós atendemos também outras patologias pulmonares e essa nova dimensão que o Instituto conquistou ao longo dos anos precisa ser divulgada”.
UM MARCO NA PNEUMOLOGIA NACIONAL
Natural de Rezende, Rio de Janeiro, Clemente Cunha Ferreira nasceu em 29 de setembro de 1857. Formou-se em 1880, época que iniciou a defesa pelos doentes de tuberculose, tema de sua tese de conclusão do curso. Atuou em diversas cidades, como a capital carioca, Campinas e Rio Claro, interior de São Paulo. Nas duas últimas, em 1889, participou ativamente da luta contra febre amarela, o que lhe rendeu uma medalha de ouro da Câmara Municipal.
Dez anos depois, em 1899, já em São Paulo, fundou a Associação Paulista de Sanatórios Populares para Tuberculosos, mais tarde conhecida como Liga Paulista contra a Tuberculose. A partir daí, voltou-se exclusivamente ao estudo da patologia.
Em 1902, criou a revista “Defesa contra a Tísica”, e por meio dela buscou conscientizar a população e as autoridades sobre a amplitude que a tuberculose estava ganhando no país. Auxiliado por uma equipe de colaboradores devotos e com o subsídio municipal, fez o primeiro dispensário para o tratamento e prevenção das doenças pulmonares, em 1903, no centro de São Paulo. O Dispensário Modelo, como era chamado, foi seu campo de atuação até o fim de suas atividades.
Preocupado com as doenças transmissíveis, no contexto médico, social e epidemiológico, investia na profilaxia, nas melhorias das condições sanitárias e, sobretudo, estava sempre em busca de tudo que havia de mais moderno no mundo para o controle da doença. Pioneirismo e bravura, sem dúvida, são características marcantes da contribuição do dr. Clemente à saúde nacional.
Comemoração Sesquicentenário dr. Clemente Ferreira – 1857 - 2007
Data: 26 e 27 de setembro de 2007
Horário: 9h às 16h / 19h
Local: Instituto Clemente Ferreira
Endereço: Rua da Consolação, 717 Centro - SP
Informações: 3257-6579 / 3218-8653
O americano Robert Daniels sofre de uma espécie rara de tuberculose e é considerado uma “ameaça pública” pelas autoridades sanitárias, por isso se encontra há 11 meses preso, em completo isolamento, num centro de presidiários doentes em Phoenix, no Arizona, afirmam várias organizações de defesa dos direitos humanos que denunciam os maus-tratos que ele vem sofrendo.
O ‘pecado’ de Daniels, de 27 anos, foi não ter respeitado os termos legais quando foi colocado em quarentena. Agora se encontra em isolamento completo e seus únicos contatos com o mundo exterior são as visitas de técnicos e médicos usando trajes especiais para evitar a transmissão da doença.
O ACLU, um dos principais grupos defensores dos direitos civis nos Estados Unidos, assumiu o caso para abrir um processo contra a administração que, segundo acusa, trata o prisioneiro de forma desumana e anticonstitucional.
Junto com o velho regime, as velhas idéias também foram varridas pela Revolução Francesa no final do século XVIII. Ênfase à experimentação e à observação à beira do leito tomaram corpo na Medicina. René-Théophile-Hyacinthe Laennec (1781-1826), discípulo de Corvisart, que era médico de Napoleão, foi um dos maiores clínicos daquela época e, por que não dizer, de todos os tempos. Ele trouxe importantes contribuições para o conhecimento das doenças pulmonares, especialmente o enfisema, as bronquiectasias e a tuberculose. No entanto, Laennec talvez seja melhor lembrado pela invenção e uso do estetoscópio.Antes de Laennec, os sons cardíacos e pulmonares eram estudados através da colocação do ouvido contra o tórax do paciente. Após observar duas crianças transmitirem ruídos através de uma prancha de madeira diretamente aos ouvidos, Laennec teve a idéia de enrolar algumas folhas de papel para ajudá-lo a ouvir os sons torácicos dos pacientes.
Era a noite de 24 de março de 1882. O médico alemão Robert Koch iniciou sua conferência relembrando o público das terríveis estatísticas sobre a tuberculose: esta deveria ser considerada como a mais importante das mais importantes doenças infecciosas pelo número de mortes que provocava. Nesta época, uma em cada sete pessoas morria por causa da tuberculose.
Considerada por muitos como a conferência mais importante de toda a história da medicina, Robert Koch foi inovador e inspirado ao levar para a tribuna praticamente seu laboratório inteiro: microscópios, tubos de ensaio com culturas, lâminas de microscópio, corantes, reagentes, amostras de tecido e tudo o mais necessário ao convencimento da audiência. Ele queria que todos checassem seus achados com seus próprios olhos.
Lançado no último dia 24 de março, dia nacional de combate a tuberulose, o Museu Virtual da Tuberculose, iniciativa da SPPT realizada com o apoio do Instituto Clemente Ferreira, de alguns órgãos públicos de São José dos Campos e médicos colaboradores, acaba de publicar duas novas áreas em seu conteúdo: Tuberculose: uma viagem no tempo e Manuel Bandeira: o amigo do rei.
A primeira área fala da história da tuberculose desde a idade antiga, passando pela idade média, moderna e chegando até a idade contemporânea, quando do pioneirismo de Robert Koch (foto) e Jean Antoine Villemin no combate à doença. Já a segunda faz uma breve biografia do escritor brasileiro Manuel Bandeira relacionada à tuberculose (ele foi portador da doença desde os 18 anos) e alguns depoimentos.
As duas áreas foram elaboradas por Mauro Gomes, pneumologista da SPPT e professor da disciplina de pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
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