Clemente da Cunha Ferreira: o fundador
Clemente da Cunha Ferreira, nasceu em Rezende, estado do Rio de Janeiro, em 29 de setembro de 1857 e formou-se em Medicina em 1880, também no Rio de Janeiro. Em sua tese de conclusão do Curso de Medicina, defendida no mesmo ano de sua formatura, já escolheu como tema a Tuberculose. Sua tese se intitulava: “Phtisica Pulmonar”, doença que na época vitimava milhares de pessoas, a qual se dedicaria até o último dia de sua vida.
Durante seis anos foi diretor da Santa Casa de Misericórdia de Rezende, no período de 1881 a 1887. A seguir, no Rio, passou a chefiar a Clínica de Moléstias de Crianças. Médico Sanitarista atuou em vários campos da Saúde Pública no Rio de Janeiro e depois em Campinas e Rio Claro, onde foi designado para participar em 1889, da luta contra a febre amarela que assolava essas duas cidades paulistas. Seu trabalho foi tão notável que ele foi homenageado com a medalha de ouro da Câmara Municipal,como gratidão do povo paulista. Recebeu também a Comenda de Oficial da Ordem da Rosa, concedida pelo Imperador D. Pedro II.
Durante o restante de sua jornada na luta contra a Tuberculose recebeu várias Homenagens de autoridades ilustres como do Presidente da República Eurico Gaspar Dutra, dois anos após sua morte.Finalmente, em julho de 1899, funda em São Paulo, a “Associação Paulista de Sanatórios Populares para Tuberculosos”; depois chamada de “Liga Paulista contra a Tuberculosa” e a partir daí passa a dedicar-se exclusivamente à Tuberculose. Em 1902, fundou a revista “Defesa contra a Tísica” da Associação Paulista de Sanatórios Populares e através dela começou sua luta para conscientizar a população e as autoridades sanitárias sobre a magnitude da tuberculose.
Com um grupo de dedicados colaboradores e auxiliado por uma subvenção municipal, conseguiu abrir, em São Paulo, o primeiro dispensário para o tratamento e profilaxia das moléstias pulmonares. O dispensário, localizado à Rua Libero Badaró, foi batizado por seus colaboradores com seu nome e na grande festa de inauguração, em 14/07/1904, compareceu o Governador da época, o Dr. Jorge Tibiriçá. Começava aí sua luta ferrenha contra a peste branca.
Em 1908, lança a pedra fundamental do Dispensário Modelo na Rua da Consolação, concluído em 1913, local em que até o final de sua vida seria o campo de atuação de seu fundador. Durante toda a sua vida lutou bravamente, tentando despertar a consciência sanitária da Tuberculose quer seja nas críticas aos governantes para que medidas eficientes fossem tomadas, ou tomando ele próprio medidas como campanhas com o apoio da “Liga Paulista Contra a Tuberculose” da qual era presidente.
Enfrentou também a oposição dos moradores daquele bairro, que pregavam abertamente os malefícios que adviriam da localização do dispensário em bairro aristocrático como aquele. Recebeu até uma carta anônima ameaçando-o de morte e de incendiar o prédio, mas a reação serenou-se com a intervenção da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo e do Rio de Janeiro, além da Academia Nacional de Medicina, que emitiram pareceres favoráveis à instalação do dispensário naquele local.
No final de sua vida, recebeu também a homenagem de Doutor “honoris causa” pela Escola Paulista de Medicina. Com a visão sanitária e sendo um médico de formação clínica, o Dr. Clemente Ferreira se preocupava com as doenças transmissíveis como a Tuberculose não só na abordagem médica da mesma, mas também em seu processo social, epidemiológico. Enfatizava a profilaxia da doença, a melhoria das condições sanitárias numa época onde o isolamento do paciente era a única medida disponível.
Seu espírito incansável, sua garra, seu enorme conhecimento e sua habilidade com vários idiomas lhe permitiram que morresse o mundo todo em busca do que havia de mais moderno sobre o controle da doença. Tudo que obtinha de novo aplicava no Instituto Clemente Ferreira
Leia também a história do Instituto Clemente Ferreira.


















