Acidentes automobilísticos, dificuldade de concentração, cansaço contínuo, falta de memória, hipertensão arterial, síndrome metabólica, alterações de humor, problemas psicológicos e neurológicos são apenas algumas das inúmeras conseqüências associadas aos distúrbios de sono.
As patologias afetam diversos sistemas do organismo, inclusive o respiratório. Aliás, estão diretamente relacionadas à dificuldade respiratória do portador. Desta forma, nos últimos anos, os pneumologistas têm intensificado o trabalho de investigação e exploração dos recursos terapêuticos e diagnósticos, conforme informa o pneumologista Dr. Rafael Stelmach, da Sociedade Paulista de Pneumologia – SPPT.
A evolução medicamentosa, terapêutica e diagnóstica foi amplamente explorada durante o 12º Congresso Paulista de Pneumologia e Tisiologia, a ser realizado de 15 a 18 de novembro de 2007. Por meio de cursos, simpósios e conferências, especialistas de diversas instituições abordarão os impactos e progressos da área no Brasil e no mundo.
Breve panorama
O estudo dos distúrbios do sono é relativamente novo, não ultrapassa 30 anos. No entanto, o número de acometidos sempre foi expressivo. No Brasil, atualmente, cerca de 4% da população sofre com apnéia obstrutiva do sono. Isto sem falar nos casos de insônia. Destaca o pneumologista Geraldo Lorenzi Filho, integrante da disciplina de pneumologia do InCor:
“A qualidade de vida é significativamente afetada. Com o sono de má qualidade, o indivíduo fica ainda mais propenso a ter um acidente vascular cerebral e pressão alta”.
Recentemente, o InCor realizou uma pesquisa com os portadores de síndrome metabólica e constatou que, em mais de 70% dos casos, os pacientes também apresentavam apnéia obstrutiva do sono.
O que é apnéia do sono?
Ronco à noite e sonolência intensa durante o dia podem ser sintomas de apnéia obstrutiva do sono (AOS). O distúrbio, originado pela inflamação da faringe, impede o sono contínuo e, consequentemente, o descanso do organismo. O problema é decorrente de diversos fatores, como rinite, refluxo, disfunções no estômago e, principalmente, obesidade.
Durante o sono, o fluxo de ar é dificultado e o individuo se sente sufocado. O cérebro acusa déficit de oxigênio liberando adrenalina ao organismo. Instantaneamente a pessoa acorda com um susto. Cada vez que falta oxigênio no cérebro, um neurônio é afetado, o que contribui para a falta de memória e de concentração. Além disso, as chances de se ter eventos cardiovasculares é expressivamente aumentada. Explica Geraldo:
“O principal fator de risco é a obesidade. Geralmente, o problema tem início com o acúmulo de gordura na garganta. Isto ocorre especialmente nos homens, que têm a deposição de gordura mais centralizada nessa região”.
O especialista comenta que a doença é mais comum em pessoas entre 50 e 60 anos, porém, as crianças não estão livres:
“A AOS infantil é diferenciada. Em geral, sua origem está relacionada ao tamanho das amídalas e adenóide. Ao contrário dos adultos, as crianças demonstram o cansaço do organismo por meio da hiperatividade, ou seja, ficam elétricas”.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da AOS é realizado por meio de estudo que define o nível da doença, a polissonografia. Após concluída esta etapa, existem três tratamentos indicados de acordo com o grau do distúrbio: as CPAPs, os aparelhos intra-orais e a cirurgia (apropriada apenas para crianças). Adverte Sônia Maria Togeiro, médica da Disciplina de Biologia e Medicina do Sono da UNIFESP e membro do Laboratório do Sono do Instituto do Sono em São Paulo:
“Em primeira instância, o paciente obeso deve estar ciente da necessidade de perder peso. Os dispositivos orais são reservados aos casos leves e consistem em alterar a localização da mandíbula para facilitar a circulação de oxigênio”.
Em situações mais graves, as CPAPs são a melhor opção:
“É uma máscara nasal que gera pressão positiva na faringe, impedindo o colapso no fluxo de ar e promovendo uma abertura”.
Segundo os médicos, não se deve ignorar o problema. Alerta Sônia Togeiro:
“Ao longo dos anos, os sintomas são erroneamente interpretados como decorrentes da idade e , por essa razão, não são valorizados. Tal postura pode acarretar desdobramentos ainda mais graves, uma vez que a doença interfere em quase todo o funcionamento do organismo”.
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